
A pobre menina
Uma vez contaram-me uma história, tal história sombria e repulsa que com tantos fatos não nem sequer acreditar. Pois dizem ''só acredito no que meus olhos vêem.'' Pois bem, não irei acreditar mas contarei para quem lê, não fiques com medo e nem arrepiado pois não és uma história de terror ou de sombras, e sim a história de uma pobre menina, não pobre de dinheiro porque isso tinha de sobra mas pobre de lembranças, de esperança, de coragem, e tantas outras. Não digo esta era algo normal pois não era, tinha algo diferente. Superior, colocaremos assim. Não sei por onde começar é tão triste narrar, que por fim veio até começando a acreditar.
Era tarde, o sol estava se pondo. A menina, cujo nome era Lorelai, estava debaixo da árvore que vinha gravado seu nome. O vento passava e seus belos e longos cabelos voavam. Estava vestida com um vestido curto, sem mangas. Nos pés não havia nada. Chorava. Sua mãe dava a luz naquele exato momento, mas depois sabia que não a veria mais, pois um parto difícil como aquele nenhum sobrevivia. Seu pai aflito andava na sala, de um lado para o outro sem dizer uma palavra, só com uma feição preocupada. Lorelai saira daquele lugar para não ver sua mãe ir, de uma forma triste e sem sentido. Sabiam todos da cidade que dona Linda, assim chamada sua mãe, não poderia mais ter filhos. Já passara da idade. Todos sabiam dos riscos por isso, ficaram tão preocupados. Lorelai sozinha chorava, sozinha estava. Não sabia o que fazer, pois seus sentimentos eram confusos. Era um irmão que estava por vir, seu desejo consedido. Mas perderia quem tanto amava, quem era única a apoia-la. Sabia tal, que viver com seu não era lá uma escolha boa, sabia que seria sofrido e culposo. Sua vó Lorelai II não poderia cuidá-la pois já era de idade. Então o que podiria fazer? Muitos parentes tinha, mas cada um com sua família. A menininha não queria ser um peso, uma dispesa à mais, uma boca à mais. Por isso, só um sentimento predominava naquele pobre coração, o medo. Lorelai sabia que todos a achavam e impura. Pois que moça de quinze anos andara sozinha por vastos caminhos sem algo nos pés sem uma fita parar prender tais cabelos lindos sedosos mas que viviam soltos. Como puderam achar que esta era tão pobre que não pudia comprar uma fita para os cabelos. Enganados são aqueles que se deixam levar pelo que vêem. A pobre menininha, não era pobre. Era muito rica, decendia de realeza, poderia vir a ter quantos mordomos quizesse, casas grandes cheias de móveis caros e preciosos, jóias vinham de família, furtuna que nem nos maiores bancos caberia. As melhores fitas poderia comprar, e quantos vestidos quizesse, com as melhores costureiras é claro. Mas não é isso que exatamente falta na vida de Lorelai, pois isso ela tem de abundância. O que falta é o amor. Sua mãe não podia dar tanta atenção à ela pois quando não estava cuidando da casa, essa que era tão grande que precisava de nove empregados, estava doente. Dona Linda era dona de uma saúde frágil e fulnerável, uma vez pegara uma doença tão grave que pensaram que não voltara mais. Enganos nmais uma vez dos leigos. Seu pai, aquele não se pudia refirir-se. Homem honrado, bravo e corajoso. Lutava por guerras e guerras buscando honrar o nome de seu pai, Dom Carlos D'Lamante Agüero, que morreu defendendo e honrando o nome que havia sido dado. Mas era um homem frio, parecia não ter sentimentos, não sorria, estava sempre nervoso, não dava atenção a sua mulher, e muito menos a sua filha. Lorelai achava que seu pai não gostava dela, pois uma vez, ainda pequena ouviu seu pai dizer, ''Como pudera ter uma menina? Me diga mulher,como poderemos continuar honrando nossa família? Agora estamos sujos. Nossa família será desonrada quando eu morrer.'' Desde então Lorelai olha para pai com medo, pois sempre achou que um dia ele seria capaz de matá-la e pegar um filho de criados e dizer que é seu, só para honrar sua família. Por isso prendera a menina por tantos anos. mas agora não poderia ficar pensando em baboseiras, tinha que pensar na de sua mãe. As horas se passavam, e ninguém ia chamá-la. Achava que sua mãe já havia ido embora, quando Fernando, um menino alto, educado, simples e verdadeiro, veio chamá-la. Perdera até o fôlego, mas disse que sua mãe Maria, uma das criadas mais próximas, estava chamando-a pois achava que seu irmão nascera. Lorelai secou suas lágrimas, e sorriu. Foi correndo, de mãos dados com Fernando que corria muito mais rápido, e agora a pressa comandava seus movimentos. Chegara em casa. Seu pai olhou-a nos olhos, disse: ''Vá, sua mãe lhe espera.'' Fora devagar, quando chegava nas escadas correra tanto que as lágrimas deciam pelo seu rosto, que agora estava vermelho de tanto correr. Sua mãe estava na cama, que estava cheia de sangue, com seu irmão nos braços. Dona Linda estava pálida, mas com um sorriso suave e doce que sempre tera. ''-Venha vê-lo.'' Lorelai foi e sorriu também. Mas quando olhou para mãe chorara.
- Porque choras meu amor?
- Ei, eis aqui teu irmão, não chores seu grande desejo foi consedido.
- Mas... Mamãe...
- Calma meu amor, não se preocupe, tudo ficará bem.
- Mamãe, a senhora não está bem. Preocupada disse Lorelai.
- Saiba que, não importa o que aconteça não quero que você desista. Eu ficarei bem onde quer que eu esteja, e sempre olharei por vocês. Quero que... cuide de seu irmão, e não deixe que seu pai o faça virar um monstro, como os homens daquela família. Prometa.
- Prometo, mamãe.
- Pois bem, pegue a caixa de tricô na gaveta.
Lorelai foi em direção a gaveta com um ar de preocupação em seu rosto. Pegou a caixa.
- Abra. Disse sua mãe.
- Isso é o que deixo para você e seu irmão, mas guarde em segredo pois....
- Sim mamãe, diga.
- Estou fraca meu amor, mas saiba que a mamãe lhe ama mas que tudo no mundo. Mas peço que preserve-se. Quando completar dezoito anos fuja daqui, e leve seu irmão. Nessa caixa tem dinheiro suficiente.
- Mas mamãe... e o papai?
- Ele ficará bem, não se importe.
- Está bem.
- Agora, quero que vá e já aprenda com Maria como cuidar de seu irmão. E nunca o deixe sozinho. Prometa.
- Prometo mamãe.
- Dê-lhe amor, o qual não pude lhe dar como quis. Eu te amo, minha pequena princesinha.
- Eu também lhe amo mamãe, e a senhora me deu o amor suficiente para poder dar devolta a meu irmão. Chorando, a menina se despedia de sua mãe.
Seu pai que já sabia o que havia acontecido, não demostrava dor pela perda de sua mulher e sim alegria. Disse:
- Pelo menos ela foi mas me deixou um menino!
Lorelai sofrendo, foi para seu quarto, fechou a porta e começou a chorar. Depois de horas Fernando, o filho da empregada, batera na porta oferecendo-lhe comida e apoio. Lorelai não aceitou comida mas apoio sim. Começaram a conversar. Ficaram assim por horas. Já era quase dia quando pegaram no sono. Os dois no quarto de Lorelai. O pai que à noite abrira a porta, não ligara para o que viu, aquilo para qualquer pai seria uma falta de respeito mas para ele não. Pois Lorelai não fazia diferença em sua vida. Passaram-se meses, seu irmão que já crescera um pouco, estava bem, um bebê lindo e saudável. Lorelai estava junto com Fernando e sentia-se bem por isso, ele a fazia muito feliz. Completou dezoito anos, saiu de casa provanda para a cidade inteira que era uma menina bela e muito inteligente. Pois bem, hoje Lorelai está na lembrança, não sabemos se esta história é verdadeira, mas sabemos que aquela sem vida e sem amor, casou-se com Fernando, teve filhos, cuidou de seu irmão e além disso tornou-se professora da cidade onde morava. Dizem que Lorelai foi a salvação para a falta de esperança. Não sabemos ao certo, mas sabemos que essa pobre menina superou o que diziam, pulou obstáculos e deixou que o amor a mostrasse o que fazer.
Wind/Gabriela